Já pensou em ter um parto na Água?


Hoje trago pra vocês o relato de parto da minha cunhada. Um dos relatos de parto mais lindos que já vi. E eu tive a chance de estar presente na maternidade esperando essa princesa nascer.E ver de perto a recuperação maravilhosa de um parto natural. Um relato emocionante que pode esclarecer as dúvidas de muitas mulheres que desejam um parto natural e humanizado. Um momento que pode sim ser mágico e inesquecível.

 

TENTANDO ENGRAVIDAR

Primeiro, um pouquinho da minha história antes de engravidar da Giovanna: começamos as tentativas de ter um bebê no início de 2012, com dois anos e pouquinho de casados. Depois de um ano tentando, descobri que tinha endometriose e que seria muito difícil uma gravidez sem tratamento. Sempre tive pavor de cirurgia, mas, engravidar sem operar seria quase impossível por causa da quantidade de aderências que tinha. Encarei a cirurgia em março de 2013 e, nos três meses seguintes fiz uso de um hormônio específico para eliminar os focos restantes.

Acabado o período do tratamento, e com pedidos de exames para teste de função ovariana em mãos, fiquei aguardando a menstruação para fazê-los. Os dias iam passando e nada dela vir. E eu pensando que o atraso era normal devido aos hormônios do tratamento, afinal não menstruei durante todo o período do uso do remédio que diminui a ovulação. Quase dois meses de espera e sentindo enjoos e azia. Uma amiga do trabalho me sinalizou que poderia estar grávida. Será? Mas eu nem menstruei! Fiz o teste de farmácia e surpresa: POSITIVO. Beta para confirmar, primeira ultra e já estava com quase oito semanas quando descobri.

Lembra do meu pavor de cirurgia? Pois então, desde a descoberta da gravidez já pensava na via de parto e que cesariana não era uma opção caso não fosse extremamente necessária.

Comecei a buscar informações sobre parto normal, conheci o mundo da humanização e do parto natural, participei de grupos sobre o assunto no facebook e de reuniões presenciais no grupo de apoio Ishtar. Li livros sobre preparação para o parto, artigos na internet, assisti ao filme O Renascimento do Parto e vi muitos vídeos de parto natural e relatos de mães que passaram por este momento incrível.

Conheci a realidade sobre a indústria da cesariana e sobre como ela é, muitas vezes, mal indicada, somente para conveniência do médico, e sobre violência obstétrica. Percebi também que os planos de saúde dificultam essa escolha pela baixa remuneração do profissional.

A DECISÃO PELO PARTO HUMANIZADO NA ÁGUA


Tomei coragem, abandonei o médico do plano de saúde, busquei uma obstetra particular a favor do parto normal para me acompanhar e contratei uma doula, que me ajudou muito também, trazendo muitas informações.

Com equipe escolhida, depois de muito estudo e informação, fiquei encantada pelo parto na água por todos os benefícios que poderia me trazer, sendo o maior deles, o alívio das dores. Conheci a maternidade e o quarto de parto. Não tinha banheira, mas eu poderia montar uma piscina inflável.

Recebi críticas pela minha escolha, mas fui firme na decisão. Me chamaram de índia, louca e corajosa, mas o que eu queria mesmo era parir naturalmente, sem intervenções desnecessárias, que eu fosse respeitada no momento mais importante da minha vida, que minha filha nascesse saudável e que ficasse comigo desde o nascimento, sem passar por procedimentos invasivos sem necessidade, pudesse mamar na primeira hora de vida e fosse logo para o quarto, sem ter que ficar separada de mim em um berçário.

Estava consciente também de que tudo poderia sair do planejado. Mas tive uma gravidez saudável e estava com uma ótima equipe, então acreditei que eu era capaz e confiei em Deus.

RELATO DE PARTO:

Chegou o tão esperado dia. Com exatas 39 semanas, no dia 02/03/2014, fui acordada na madrugada por uma leve cólica do tipo menstrual. Dos sintomas do início do trabalho, sabia que esse era um deles. Fiquei ansiosa, mas procurei descansar mais um pouco, pois o dia seria longo. Era domingo de carnaval e, pela manhã as cólicas foram se intensificando, mas totalmente toleráveis. Contei ao meu marido para que ficássemos preparados. Fomos almoçar na casa da minha mãe. Antes de sair, mandei mensagem para a doula, para deixá-la de sobreaviso quanto à possibilidade do parto estar próximo. Depois do almoço, as contrações começaram a se intensificar. Estavam completamente suportáveis e espaçadas, mas já mostravam uma regularidade de 10 em 10 minutos mais ou menos. Era a fase latente. Tentamos ver um filme, mas não deu certo. Não consegui me distrair, pois vinham diminuindo de intervalo. Às três da tarde estavam de 7 em 7 minutos, então decidi ir para casa arrumar o que faltava levar para a maternidade. Entre idas frequentes ao banheiro, por volta das 15:45 h avisei à obstetra sobre as contrações e ela me orientou a ficar tranquila pois ainda poderia demorar a se tornar trabalho de parto ativo. Mas evoluiu rápido. Por volta das 17 h pedi que o Rafael - meu marido -buscasse minha mãe, pois sabia que não iria aguentar buscá-la em casa antes de ir ao hospital. Fui para o chuveiro com as contrações de 5 em 5 minutos. Já estavam bastante intensas e dolorosas. Voltei para cama depois de uns 20 minutos, e só conseguia ficar de joelhos apoiada sobre uma pilha de travesseiros. O intervalo entre as contrações estava diminuindo e a dor aumentando progressivamente.

Marido e mãe chegaram. Pedi que ele avisasse à doula que as contrações estavam de 3 em 3 minutos. A bolsa estourou, corri para o chuveiro e já não sentia mais intervalos durante as contrações. Achei que fosse parir em casa, que não daria tempo de chegar à maternidade e só pensava em encher a piscina na minha sala! Hora de sair!

Chegamos por volta de 18:30. O trajeto no carro foi quase insuportável. A obstetra já estava lá e me examinou para a internação. Fez o toque (o único de toda a gestação) e estava com 6 cm de dilatação. Estava aguardando a liberação do plano para ir para o quarto do parto. Obstetra e marido providenciando a internação. A doula ficou comigo o tempo todo na sala de emergência, fazendo massagens de alívio e me incentivando. A dor era grande e cheguei a cogitar anestesia, mas ela me relembrou da cascata de intervenções e intercorrências que isso poderia me trazer. (Este momento estava previsto no plano de parto: se eu pedir anestesia, não me dê atenção! rsrs). Não pensei mais nessa possibilidade, encarei a dor e me entreguei ao momento. Acho que fiquei lá por quase uma hora. Já havia perdido a noção do tempo. Enfim, fomos para o quarto de parto. Subi de maca, pois não aguentava mais andar, e só conseguia ficar de joelhos. Já não conseguia me mexer nem falar enquanto a “força-tarefa” (marido, mãe, doula e obstetra) montava a piscina e tentava me providenciar algum conforto.


Entrei na piscina e fiquei de joelhos apoiada na borda (posição que me dava mais conforto). A médica auscultou algumas vezes o batimento cardíaco fetal. Acho que não tive intervalo entre as contrações da fase ativa e o expulsivo. De repente, senti vontade de fazer força e senti o “círculo de fogo”, fiz poucas forças e Giovanna nasceu às 22h36min. A médica a segurou e me entregou de imediato. Quando me dei conta, já estava com ela nos braços, chorando e rindo ao mesmo tempo. Foi uma felicidade intensa, um amor que transbordava.


Nossa princesa nasceu com 3,350kg, 46,5cm e apgar 10/10. Mamou logo que veio pro meu colo e ficou ali até a placenta nascer, depois de uma hora. O pai então cortou o cordão umbilical.


Tive uma pequena laceração e precisei de 3 pontos. Fomos todos para o quarto. Tudo aconteceu do jeitinho que sonhei, sem intercorrências e intervenções. Só tenho a agradecer a Deus e a todos que me cercaram naquele momento incrível e inesquecível de dor, de superação e de muito amor.

PESSOAS PRESENTES:

Mamãe Nathalia, papai Rafael, vovó Aurea, obstetra Ana Fialho, doula Aline Amorim. Pediatra da equipe da dra Ana.

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